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Vou pr’ó bailarico… larico, larico

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Vou pr’ó bailarico… larico, larico

Como veterano que é de bailaricos, já alguma vez fez uma introspecção sobre quem frequenta estes locais animados?

O panorama geral é o seguinte: mulheres que dançam umas com as outras enquanto que os homens, encostados às paredes, as olham, ao mesmo tempo que dedicam o seu empenho em emborcar mais uma “mine”.

Vou p’rá festarola… tarola, tarola…

Algo de errado se passa. Senão vejamos. É um facto que em quase todas as espécies animais são os machos que se exibem enquanto a fêmea os admira e escolhe…

Assim, agindo daquela forma, o macho não merece a admiração por parte das fêmeas. Competir com uma garrafa não é nada estimulante, convenhamos. A perspectiva de uma noite bem passada é gorada pela garantia, se o macho se decidir a abordar um par, de uma coreografia ébria e de algumas pisadelas, para além de um hálito desencorajador (ainda que não partilhem fluidos, partilharão algum oxigénio).

No meu tempo…

Os mais velhos vão dizendo que no seu tempo é que era…
O bailarico era um acontecimento ansiado por todos. Algumas vezes por ano, sobretudo durante o Verão, havia a oportunidade de dançar com a menina dos seus olhos. Dançar era, então, o único contacto físico socialmente permitido. Por isso o empenho e o esforço dispendido nesses momentos era largamente recompensado. Até aqui tudo está de acordo com a natureza.

Em casa é que eu não fico… não fico, não fico…

Não passaram milhões de anos e já tudo mudou. O que explicará este fenómeno evolutivo tão rápido?
Talvez o facto de o bailarico ter perdido protagonismo na vida social do nosso país. Ou porque as regras de convívio físico entre homens e mulheres se tenham alterado radicalmente.

Contudo, nada disto justifica o comportamento geral do macho. O bailarico continua a ser um local privilegiado de convívio. Para quê desperdiçar oportunidades tão solícitas…

Repare bem nas moçoilas que ali pululam. Repare como se esmeram na execução da coreografia da moda deste Verão… acha mesmo que elas querem dançar sozinhas ou umas com as outras?
Não lhe parece que tanta exibição e euforia escondem outros objectivos?
Uma vez que elas assumiram o desempenho que a natureza atribuiu ao macho, é normal que estes se encontrem perdidos, à procura do seu papel nesta peça.

Então do que é que está à espera?
Arrisque a admirar, a escolher e a abordar…
Beba com moderação. Ateste só até ao ponto de se sentir solto e descontraído. Mais do que isso é garantia de fracasso…
Assegure que o seu hálito esteja fresco e agradável e que o seu sovaco não seja tumba de anões.
Não tema a abordagem porque, c’os diabos, elas estão lá para dançar… consigo…