A minha viagem por um prato
Viajar é normalmente sinónimo de férias. Por vezes de trabalho. Mas será motivo de comezaina? Pode e deve ser.
Visitar uma terra estranha sem lhe conhecer os aromas e os sabores é ficar a meio da viagem. Seja ela dentro ou fora. E em todos os sítios se encontram boas razões para tantos kilómetros. Digo isto e lembro-me de uma famosa tasca de onde saio sempre com o botão das calças aberto.
Para começar
Pode sempre escolher uma salada de pimentos em azeite… Existem vários roteiros gastronómicos editados, os amigos tem referências, podemos ir de propósito ou à descoberta. Acima de tudo importa ir de espírito aberto, apetite engatilhado e a carteira bem disposta.
Se vai à descoberta, sugiro que escolha uma região ou um destino final e que deixa de lado as autoestradas. Melhor… deixe o carro em casa e vá de comboio. Apanhe o regional, passe o fim-de-semana fora. Pensões não faltam e depois de uma bela refeição bem regada sabe bem esticar as pernas em qualquer lado. E principalmente não estar preocupado com graus alcoólicos que não estejam no rótulo.
Só mais uma dica… normalmente comesse muito bem no lugar mais insuspeito. Recordo sempre meia-dúzia de tascas que já me deixam água na boca. E muitas delas mesmo ao lado de restaurantes afamados. Também não costumo perguntar onde. Sigo o cheiro.
Mini-roteiro
Se é amante do bacalhau, rume a Casal de Sejães, em Oliveira de Frades, e tente um bom bacalhau assado na lenha.
Descendo a Costa Vicentina, o que não faltam são poisos com vista de mar e de peixe grelhado. Alguns dos segredos bem guardados tem a ver com umas caldeiradas que se encomendam de véspera com o peixe que tiver o azar de cair em certas redes. E na vizinhança, o Alentejo profundo reserva ainda boas surpresas.
Em relação às carnes a escolha também é difícil. Na região do Ribatejo foi criada a confraria do Touro Bravo, responsável pelo festival gastronómico dedicado ao dito.
Nas ilhas açoreanas, cavacos e cracas são obrigação ao pequeno-almoço. Já para não falar do cozido das furnas.
E etc etc etc. O importante é descobrir. E já agora partilhar. Porque lá diz o velho ditado feminino “Homem que bem come, não nos deixa passar fome.”

