Recheios em 2ª vida
Mobilar uma casa é sempre uma tarefa dispendiosa. Para já não falar das decisões que somos forçados a tomar pelo caminho e do tempo que nos pode tomar. Mas para tudo existe sempre um segundo caminho. E esse caminho passa por dar vida nova a móveis antigos.
À porta de casa
Se é um passeante atento, já deve ter reparado que muitas vezes, à porta de uma casa ou na entrada de um prédio, estão móveis abandonados, a maior parte das vezes em bom estado e a pedirem para alguém os levar.
Felizmente que já começou a ser um hábito, deixar as coisas que não queremos em sítio onde alguém que as queira as possa levar e voltar a aproveitá-las.
No grupo de aproveitadores temos de tudo. Estudantes longe de casa, jovens em inicio de vida longe dos pais, mas principalmente, gente com imaginação e jeito para alguma bricolage, se necessário.
E encontram-se verdadeiras pérolas. Desde estantes a mesas de sala, cadeiras e sofás, cadeirões e outras peças que vistas com outros olhos… Já olhou com atenção para a parte de baixo do guarda-roupa da sua avó? Imagine-o sem as portas em cima. Nas gavetas cabem cd’s e a altura é óptima para ter a televisão. Tzaram!
As tábuas de uma cama podem servir de estante aos livros… e uma mesa de cabeceira pintada pode servir de móvel de apoio na casa de banho.
Um conselho de amigo: sempre que vir algo que acha que lhe vai interessar, não pense duas vezes. A hesitação é o tempo de outro levar a peça. E se depois chegar à conclusão que não cabe lá em casa, pode voltar a deixá-la à sua porta.
Sótão da avó
Para os felizardos com acesso a um destes espaços mágicos, é fazer uma excursão. Desde as camas de ferro que podem dar uma excelente cabeceira para o estrado que já comprou, aos sofás que se mandam forrar de novo, à mesa de jantar com abas extensíveis, e os magníficos candeeiros dos anos 70 para dar um ar retro, tão na moda.
Mais uma vez… imaginação é que é preciso para conseguir ver as coisas noutro contexto.
Feiras e mercados
O segundo ponto a visitar. Mas aqui tenha cuidado. Quem se dá ao trabalho de ir para lá vender terá uma noção mais exacta do preço e do valor das peças. A oferta é variada, mas pode ter um preço elevado. Mas aqui quem manda é a sua carteira.
“Emaus” e “Reto à Esperança”
E deve haver mais associações a fazer o mesmo. Recolhem recheios de casa, restauram ou não e voltam a vender ao público a preços mais agradáveis. O dinheiro ganho serve para a associação viver. No caso destas duas, ajudam jovens toxicodependentes a encontrarem uma nova vida.
Para além de venderem nas próprias instalações, costumam organizar feiras em locais mais centrais. Esteja atento.
Mãos-à-obra
Trate dos novos inquilinos da sua casa. Uma boa limpeza, verifique que não trazem bichinhos para atacar os outros, talvez uma pintura ou um envernizamento. A escolha é sua. E a forma de os integrar no meio dos outros também. Mas no final, essa será a sua marca pessoal no novo espaço da sua vida.
Boa caça e boa decoração.

